O que é a Verdade?

Pouco tempo depois, o mestre Tastevin disse que tinha chegado a hora de propor uma tarefa mais avançada. Tratava-se de fazer uma análise xenoetológica da insurgência de Maio de 68, que, como disse algumas páginas atrás, tinha acontecido recentemente. Eu deveria pesquisar jornais e estudar algumas análises que já apareciam, além de entrevistar participantes e observadores. Destes, era fácil localizar muitos dentre os professores e estudantes da própria Universidade de Paris; além disso, o mestre me deu algumas cartas de apresentação, para que eu ouvisse a opinião de representantes de outros segmentos, como jornalistas, empresários e policiais. Dizia ele que era a oportunidade de estudar um inusitado político de grandes dimensões, enquanto ainda estava fresco na memória das pessoas.

Eu tinha que concordar que fora, realmente, um dos mais inusitados acontecimentos políticos do século, até então. Um conflito de estudantes, desses que acontecem há séculos em Paris, tinha começado tudo. De repente, como acontece uma ou duas vezes em cada século, o conflito tinha inchado e Paris tinha sido tomada pelas manifestações. Para grande surpresa do governo De Gaulle, que tinha inaugurado a era de uma França insubordinada à liderança americana, e da oposição de esquerda convencional, cujo núcleo era formado pelas centrais sindicais e  pelos partidos Socialista e Comunista. Os trabalhadores aderiram, não se sabia bem por quê, e logo dois terços da força de trabalho estavam em greve. De Gaulle se refugiou em uma base francesa na Alemanha. Tendo assegurado o apoio militar, o velho general dissolveu o Parlamento (o que era legalmente permitido)  e convocou eleições.

A revolta se evaporou tão de repente quanto começou. Atendendo a pedidos dos partidos e centrais sindicais de Esquerda, os trabalhadores voltaram ao serviço. As manifestações sumiram e, nas eleições realizadas em junho, o partido gaulista aumentou sua maioria parlamentar. Apesar dos confrontos violentos entre polícia e manifestantes, e de muitos terem sido presos, não se tem notícia de que ninguém tenha morrido no episódio, ao contrário do que aconteceu em 1789, em 1830, em 1848, em 1870 e na Libertação...

Tudo isso aconteceu no ano da Ofensiva do Tet no Vietnã, dos assassinatos de Martin Luther King e Bob Kennedy e da vitória de Nixon nos Estados Unidos, do esmagamento da Primavera de Praga pelo Pacto de Varsóvia, e do massacre de estudantes do México. E do Ato Institucional número 5, no Brasil.

Os slogans de Maio de 68 entraram para a História. Lisez moins, vivez plus – leia menos, viva mais. L'ennui est contre-révolutionnaire – o tédio é contra-revolucionário. Pas de replâtrage, la structure est pourrie – nada de remendos, a estrutura está podre. Soyez réalistes, demandez l'impossible – sejam realistas, peçam o impossível. On achète ton bonheur. Vole-le – estão comprando sua felicidade; roube-a. Dans une société qui a aboli toute aventure, la seule aventure qui reste est celle d'abolir la société – em uma sociedade que aboliu todas as aventuras, só resta a aventura de abolir a sociedade. L'art est mort, ne consommez pas son cadavre – a arte morreu, não consumam o cadáver dela. L'alcool tue. Prenez du L.S.D. – o álcool mata, usem LSD. Il est interdit d'interdire – é proibido proibir.

Havia muitas perguntas a responder. Por que um movimento ostensivamente anti-americano tinha acontecido exatamente no único país da Europa Ocidental que não se subordinava à política de Washington? Por que um problema menor acontecido no campus de Nanterre, uma extensão suburbana da Universidade de Paris, tinha incendiado os estudantes de todo a Universidade e depois de todo o país? Por que não houvera envolvimento da classe mais desfavorecida da França, a dos trabalhadores imigrantes, ao contrário do acontece nos distúrbios do presente? Por que os operários se tinham envolvido? Por que os partidos e sindicatos tradicionais de esquerda tinham feito tanta oposição ao movimento? Por que tanta pancadaria, mas, que se saiba, nenhuma morte? Por que a insurgência implodiu tão rapidamente quanto apareceu? Por que, no final de tudo, o governo De Gaulle ficou ainda mais forte do que antes? Tudo parecia ir contra as explicações e previsões convencionais.

Depois de algumas semanas de trabalho de campo, tive que levar ao mestre Tastevin o que me pareceu um resultante bastante decepcionante. Das fontes que eu tinha consultado, muitas me relataram apenas acontecimentos de que tinham participado, ou que tinham presenciado, e não tinham idéia do relacionamento desses acontecimentos com o resto. Uma minoria tentava relatar e analisar o conjunto dos acontecimentos; mas os relatos e análises eram, cada um, muito diferentes dos restantes, todos coloridos pela perspectiva profissional e pela opção política do depoente. Alguns poucos relatos me pareceram mais ricos; tentei aprofundá-los, consultando outras referências e fontes relacionadas com cada um deles. Mas o aprofundamento da análise, geralmente, em lugar de confirmar as impressões iniciais, trazia à luz novos dados que refutavam os anteriores. No final do processo, eu tinha conseguido algumas mínimas respostas, em troca de um número muito maior de perguntas.

Para minha surpresa, Tastevin ficou muito satisfeito com meu relatório. Disse que agora eu estava a caminho do entendimento adequado da Xenoetologia:

— Você acabou de constatar por si mesmo, meu caro Basileu, o quanto a xenoetologia e a epistemologia têm de ligação umbilical, coisa que você já deve ter suspeitado, pela Relatividade do Inusitado e pela Navalha de Freud. Para classificarmos um comportamento como inusitado, é preciso fazer uma análise, que se baseará sobre uma narrativa desse comportamento. Ora, as narrativas têm múltiplas facetas, múltiplas visões e múltiplas camadas. Muitos relatos mostram apenas uma parte do comportamento que o observador foi capaz de perceber, omitindo-se as demais. Outros relatos tentam mostrar uma visão do todo, mas pinçando alguns detalhes, omitindo outros, distorcendo uns tantos e substituindo fatos por interpretações, conforme a perspectiva do observador. E, além disso, o relato pode ser superficial ou mais ou menos aprofundado. É como a descrição dos mecanismos da vida: é completamente diferente, conforme você estude no nível de sistemas, de órgãos, de tecidos, de células, ou de organelas celulares...

A partir daí, aceitei a proposta de Tastevin para que dirigisse minha pesquisa no rumo dos aspectos epistemológicos da Xenoetologia. Concordei com ele que seria uma boa maneira de aproveitar minha bagagem de ciências exatas em medição, experimentação e análise de experimentos. Eu deveria propor uma formalização para os conceitos de múltiplas facetas, visões e camadas, que o mestre tinha esboçado.

A primeira formalização que conseguiu foi a das múltiplas perspectivas; a essa denominei Efeito Rashomon, batizada em homenagem a um dos mais famosos filmes de Akira Kurosawa, baseado em dois contos de Ryūnosuke Akutagawa. Os cinemas especializados de Paris estão sempre passando clássicos, o tempo todo; nesses dias eu tinha assistido à refilmagem de Martin Ritt, The Outrage, quase tão boa quanto o original. Em resumo, um bandido assalta um casal, e o marido termina morto. A polícia investiga o crime, e ouve as três primeiras versões: a do bandido, a da mulher, e a do marido (falando através de um médium). Cada uma reinterpreta vários pontos da anterior, deixando o espectador cada vez mais em dúvida quanto à verdade.

O mais interessante é que o objetivo de cada narrador não é o de parecer inocente; ao contrário, eles admitem parte da culpa, na medida em que isso contribua para aumentar a respectiva grandiosidade. A versão final é a de alguém que, por acaso, passava pelo local, e não foi visto pelos demais personagens. Segundo este passante, todos eram covardes e incompetentes, e tudo não passou de uma comédia de erros e acidentes.

Agora vejam o dilema do xenoetólogo: se ele aplicar a Navalha de Occam, fatalmente escolherá a versão do passante. Mas esta não envolve comportamento inusitado algum: apenas boa e velha estupidez humana. Já se aplicar a Navalha de Freud terá três belas histórias para contar. Pessoalmente, fico com a versão do marido, que, além de ser a menos óbvia, ainda conta com o apelo ao sobrenatural... Mas aí não seria preciso trocar a Navalha de Freud pela de Navalha de Homero? Não no universo do filme, no qual o testemunho de um médium é considerado válido.

É de se notar que Akutagawa se suicidou ainda jovem, e Kurosawa tentou o suicídio. Mas talvez isso não queira dizer nada, pois foi moda entre artistas e escritores japoneses do século XX: Kawabata e Mishima que o digam. Para finalizar com uma nota erudita, permito-me citar dois críticos de cinema:

Rashomon is a brilliant but bleak and very dramatic examination of epistemology, the philosophy of knowledge, the need for certainty and its frail attainment. [1](Carter B. Horsley)

In the end, we are left recognizing only one thing: that there is no such thing as an objective truth. It is a grail to be sought after, but which will never be found, only approximated.[2] (James Berardinelli)

As múltiplas facetas foram formalizadas pelo Efeito Elefante. Vem de uma velha fábula indiana, segundo a qual cinco cegos encontraram um elefante, pela primeira vez na vida. O primeiro apalpou os lados do elefante, e disse que era como uma parede. O segundo abraçou uma perna, e disse que o animal era como um tronco de árvore. O terceiro pegou em uma orelha, e concluiu que o bicho era como uma ventarola. O quarto pegou na tromba, e disse que todos os outros estavam errados: um elefante, na realidade, era uma espécie de enorme cobra. O quinto pegou no rabo, e disse que o quarto tinha chegado perto, mas o elefante era, mais precisamente, como uma corda.

A propósito, sempre que se conta esta fábula, há um engraçadinho por perto, para perguntar sobre um sexto cego, e outra possível parte da anatomia elefântica. Vamos passar sem essa.

Tal como o Efeito Rashomon, o Efeito Elefante gera diferentes interpretações do mesmo fato. Mas este último é menos sofisticado: poderíamos dizer que cada variante é objetivamente parcial, causada por informação insuficiente sobre o assunto em análise. No Efeito Rashomon, cada versão é subjetivamente parcial, distorcida pela influência dos interesses de cada narrador. Em diferentes graus e combinações, ambos costumam estar presentes em discussões inconseqüentes e não-conclusivas, seja nos botequins ou, diria eu hoje, em comunidades virtuais como o Orkut.

A tríade de efeitos epistemo-xenoetológicos foi completada pelo Efeito Palimpsesto, que modela as múltiplas camadas da narrativa. O nome se refere aos antigos pergaminhos nos quais a escassez e alto do custo do material fazia com que os textos antigos fossem apagados e sobrescritos. Textos pagãos, por exemplo, eram sobrescritos por escrituras cristãs. Posteriormente, descobriram-se técnicas para recuperar as camadas inferiores dos manuscritos. Alguns exemplos mais recentes do Efeito Palimpsesto:

1. No livro Contato, Carl Sagan narra como uma civilização alienígena usa várias camadas de significado para embutir mensagens aos terrestres. Boa parte do brilho de raciocínio do livro foi perdida na versão cinematográfica, que minimizou os aspectos de epistemologia e de método científico, usando mais o tempo em tentativas canhestras de fazer média com as religiões. Mas isso é assunto para outra discussão.

2. O filme Herói, de Zhang Yi-mou, freqüentemente comparado a Rashomon, é na realidade um exemplo do Efeito Palimpsesto. As várias versões contadas pelos personagens não são variantes da mesma história, mas sucessivas aproximações, cada vez mais reveladoras das reais intenções e motivações deles. Os personagens não são pessoas comuns e egoístas como os de Rashomon; ao contrário, todos os protagonistas só querem o bem do Povo e a felicidade geral da Nação. São as diferentes interpretações do que isso signifique que os levam a ocultar ou deformar partes da verdade. O que leva a uma espécie de meta-efeito: o filme foi bem-visto pelo regime chinês, porque, aparentemente, glorifica o sacrifício pelo Bem da Pátria; mas a mensagem seria mesmo essa, ou o fato de que o Bem da Pátria pode ter interpretações muito diferentes?

3. O filme La mala educación, de Almodóvar, é outro exemplo. Aqui, ao contrário de Herói, nenhum dos personagens é boa bisca, embora nenhum seja completamente mau: nem mesmo o padre pedófilo. Em termos práticos, ganha aquele que sabe tomar melhor partido de cada uma das camadas da história. Não por coincidência, é não só o personagem mais importante, complexo e misterioso, mas o que tem o pior caráter de todos.

Modestamente, eu mesmo investiguei o Efeito Palimpsesto na Divina Comédia, conforme provo em A Grande Fênix. As duas primeiras camadas são óbvias, desde a época da publicação: a alegoria moral e religiosa, no topo, e, logo abaixo dela, o comentário sobre a política italiana da época, com um apelo à unidade nacional. O que eu mostrei foi que certa modelo que listou a Comédia entre seus livros preferidos, por gostar de literatura engraçada, tinha muito mais razão do supõem os que riram dela por tal observação. Pelo menos quanto ao cântico do Inferno, mostrei, com provas abundantes, o intencional objetivo cômico do Alighieri. Mas a Ordem da Grande Fênix alega existir ainda uma quarta camada de significado oculto, com argumentos, se não convincentes, pelo menos consistentes...

No Efeito Palimpsesto, a narrativa se apresenta em sucessivas camadas; na medida em que se raspa cada camada, emergem mais alguns aspectos até então escondidos. De certo forma, pode-se dizer que o Efeito Palimpsesto se aproxima da verdade por via vertical, enquanto os efeitos Rashomon e Elefante apresentam alternativas horizontalmente dispostas... Em conseqüência, o Efeito Palimpsesto é o mais sofisticado, e o mais difícil de reconhecer.

François Tastevin ficou muito satisfeito com a formalização dos Três Efeitos. Tanto assim, que me convidou para um fim de semana em seu vinhedo na Borgonha. Discutimos muitos e variados aspectos, enquanto o mestre me apresentava alguns preciosos exemplares de sua adega. Em certo momento, Tastevin se deixou arrebatar pelo entusiasmo de tecer uma epistemologia do vinho:

— Meu caro Basileu, a apreciação do vinho é uma espécie de pesquisa xenoetológica. Um grande vinho é sempre inusitado; por definição, ele não é comum, ele sempre nos traz uma surpresa agradável. Claro que também existem as surpresas desagradáveis, senão os degustadores seriam desnecessários, e jamais os Tastevin teriam ascendido à condição de proprietários de vinhedos...

Segundo ele, a degustação do vinho começa pela apreciação de suas múltiplas facetas, como no Efeito Elefante: como o vinho se apresenta à visão, ao olfato e ao paladar. Cada uma, com facetas menores: o olho deve considerar a cor, a transparência, as bolhas formadas e as lágrimas, ou seja, a maneira como escorre pelas paredes da taça; o nariz e a boca devem perceber a acidez, a oxidação, o tanino, as notas aromáticas e gustativas...

Os aspectos mais complexos são percebidos em camadas, como no Efeito Palimpsesto. Existe o aroma imediato, que se sente ao primeiro aspirar, a expressão varietal, própria de cada casta de uva, e as notas aromáticas que são descobertas depois: as primárias, de frutosidade, como limão, maçã, maçã verde, pêra, frutas vermelhas... e as secundárias, de banana, pêssego, abacaxi... e mais as devidas ao élevage[3], ao armazenamento, como muitas tonalidade de madeira, mas também baunilha, fumaça, café, chocolate... e as que decorrem do envelhecimento, como ameia, melão, avelãs, figos secos, tâmaras... e notas ainda mais exóticas, como pederneira, gasolina e xixi de gato, não necessariamente defeitos do vinho...

Já o paladar percebe algumas notas de imediato, na ponta da língua: o ataque, que segundo Tastevin permitia já avaliar a aquosidade, as matérias graxas, o tanino, o calor alcoólico. Durante a estadia na boca, percebem-se os apanágios do élevage, mas também o do terroir[4].  E depois que o vinho desce goela abaixo, é hora de avaliar-lhe o comprimento, o quanto de permanência o vinho consegue na memória gustativa... E, finalmente, a soma de tudo isso, que dá a harmonia, entendida como o equilíbrio das demais características.

Naturalmente, eu conseguia com muito esforço reconhecer uma ou duas dessas notas em cada vinho e, obviamente, a situação ia piorando à medida que o álcool no sangue ia aumentando. Mas não estávamos em uma degustação formal, onde eu teria que cometer o horrível sacrifício de cuspir fora goles do melhor Borgonha.

Tastevin arrematou com a consideração, talvez surpreendente, do Efeito Rashomon. A avaliação do vinho dependia também da perspectiva da parte interessada: produtor, consumidor, comerciante, degustador profissional? Se consumidor, tinha o preço como consideração importante?  Ou em que circunstância beberia o vinho? Acompanhando qual prato? Se produtor, a que mercado visava? E aproveitou para dissertar sobre a polêmica entre terroir e élevage, que reproduzia o debate clássico sobre o que determinava o comportamento humano: nature ou nurture, herança ou criação, genótipo ou ambiente. As multinacionais do vinho, obviamente, defendiam o élevage, e já arrastavam os produtores de Bordeaux, mas a Borgonha continuava fiel ao terroir...

Depois de toda essa lição, senti-me animado a fazer ao mestre uma pergunta mais pessoal. Havia na sala uma coleção de retratos, aparentemente de antepassados. O mais recente era de um padre, o que me intrigou, pois Tastevin se orgulhava do histórico ateísmo de sua família. Perguntei quem era o padre, e o mestre respondeu:

— Não é um antepassado. Os Tastevin sempre foram livres-pensadores, e vários só escaparam da Bastilha, ou pior, da fogueira, porque não só os reis como os Papas faziam questão de beber o melhor vinho. Mas esse é um verdadeiro santo homem, Félix Kir. Pároco em Dijon durante a Segunda Guerra, entrou para a Resistência, e ajudou cinco mil pessoas a escapar de um campo de concentração. Foi condenado à morte pelos nazistas, mas, libertado por pressão da Igreja, voltou à Resistência. Ajudou a salvar não só pessoas, mas vinhos; a adega de Borgonhas de Goebbels teria sido muito maior, se não fossem os que o Padre Kir escondeu... Depois da guerra, tornou-se deputado e prefeito de Dijon, até morrer há poucos meses atrás. Quando era prefeito, inventou o coquetel que leva o nome dele, para promover dois recursos da região: o vinho branco aligoté, tradicionalmente desprezado em favor do chardonnay,  e o licor de cassis, a frutinha tradicional da Borgonha... Santo homem, realmente!

Tastevin continuou, com os olhos brilhando, como se recordasse de algo importante:

— Por falar em religião, no fundo, voltamos sempre à pergunta de Pilatos: O que é a Verdade? E a meta-pergunta: por que Pilatos perguntou isso a Jesus, mas não esperou para ouvir a resposta? Zombaria? Retórica? Ou era Pilatos um precursor da xenoetologia?

[1] Tradução aproximada: Rashomon é uma examinação, brilhante mas deprimente e muito dramática, da epistemologia, a filosofia do conhecimento, a necessidade da certeza e sua frágil realização.

[2] Tradução aproximada: No final, terminamos reconhecendo uma coisa: que não existe uma verdade objetiva. É um Santo Graal que deve ser procurado, mas que jamais será achado, apenas aproximado.

[3] Termo que se refere à maneira de dar acabamento ao vinho e armazená-lo; mas o sentido é bem captado pela tradução literal, que é criação ou educação...

[4] O conjunto de características que dá a personalidade de um vinhedo, que o faz diferente dos demais: solo, subsolo, clima, ecologia...

     

Anterior

Basileu

Próxima